O DIA QUE A ÁGUIA DO DESERTO GRITOU

Era um cara bom, um cara realmente bom.
Andando na linha,
procurando a linha para andar,
se enrolando na linha.
Um cara realmente bom andando nas ruas: um verdadeiro perigo.
Certo dia ele entrou na escola.
34 crianças, 24 salvas instantaneamente.
Certo dia a águia do deserto gritou enquanto as cabeças explodiam.
Ele é livre agora. Sem mais dores de cabeça,
sem mais dores de cotovelo,
sem mais…
Mas nem sempre foi assim.
Ele era um cara bom, chamavam-no de Dom. Não se sabe se pelo Quixote – com o qual compartilhava o amor pelas causas perdidas –, ou se por causa de uma música do Elvis que ele vivia a cantar – Don’t, que os menos fluentes em inglês podem ter desentendido e assim o apelidado. Ninguém cogitou a possibilidade do Casmurro, apesar de ele ter esse livro no armário.
Só se sabe que era Dom, nome verdadeiro desconhecido, venda nos olhos, outra estatística.
Um bom garoto que nasceu em meio a uma guerra. Sangue pela boa aparência, as entranhas pelo avesso, sentimentos de amor, lealdade e amizade se escondem atrás das linhas inimigas – você é um inimigo se resolver cruzá-las. Dom nasceu em meio a uma guerra.
Bom o suficiente para conseguir viver entre as bestas.
Amando as bestas como se fossem anjos.
Convencendo as bestas de que não eram tão más.
Um bom garoto, muita paciência, sem mentira nos olhos. Só coração.
Não havia inimigos, por mais que os amigos tentassem fazer dele um cara mau. Ele só dizia
“Não, eu sou um cara legal, quero ser assim”,
E passava noites inteiras em claro chorando quando o bamboleio ébrio de ser humano (ou o bombardeio desumano dos que se aproximavam) o fazia tropeçar e ele errava. Dom chorava, se auto-flagelava com navalhas; queria ser bom o suficiente para morrer. Porque os bons sempre morrem primeiro, diziam as más línguas.
Contudo, ele não era de morrer. Vivia, sobrevivia. Por amor ao que o odiava.
Nas ruas, o cigarro dependurado no lado esquerdo do lábio, batalhando uns trocados nas vielas. Não crimes, só sobrevivência. Dom era um artista, um ator representando o papel que as pessoas queriam que ele representasse, mas enquanto elas assistiam ao seu número, ele as assistia. Era o seu modo de ajudar os que estavam perdidos: falando a mesma língua.
Era um bom garoto, cresceu entre as feras sem se deixar corromper. Tornou-se adolescente escrevendo poemas de amor, roubando flores para dar a menina mais tímida do bairro. E justamente porque ninguém gostava dela, ele a queria por perto. Compaixão, talvez essa fosse a palavra mais certa se amém ele não amasse de verdade quem sofria. E por causa da nobreza singela de Dom, pelo seu olhar singular sobre os detalhes que todo mundo deixava passar, pela sua constante insistência em fazer sorrir quem antes era conformada em ser rejeitada, essa menina, chamada Beth, o amou. E amando, o ensinou uma nova forma de amar – aquela que um dia o levaria a pedir paz, mas não ainda.
Todos os dias, ao sair para o colégio, ele roubava uma flor da floricultura da esquina e seguia feliz rumo a casa de Beth, aquela menina tão diferente das outras. Ao chegar, ela sempre o estava esperando. Dom sorria, dava-lhe um beijinho e em seguida lhe entregava a flor roubada, como se com aquele gesto ele entregasse junto parte do seu coração ainda puro. Depois seguiam o caminho da escola de mãos dadas. Era assim todos os dias da semana.
Nos finais de semana, iam juntos para o parque, onde ficavam abraçados saboreando os momentos únicos e insubstituíveis da descoberta fascinante do amor. Muitas vezes sem dizer palavras, apenas sentindo aquilo que era novo e forte o bastante para fazer sorrir mesmo sem dizer. Só era. Não sabiam explicar, apenas acontecia e era bonito e forte. Como uma águia a gritar no deserto, um tornado, o primeiro amor.
Dom se descobriu feliz através dela e Beth, a menina que antes vivia triste por ser sempre a última a ser escolhida pras brincadeiras na escola, agora vivia sorrindo pelos cantos, escrevendo poeminhas em seu diário, e quando se olhava no espelho de manhã para escovar os dentes, já não se achava um monstro como antes; pelo contrário, ela dizia
“Azar dos que não me quiseram antes, porque eu sou linda”.
Linda, porque era assim que Dom a chamava e era assim que ele a via. Seu olhar singular trazendo a beleza das entranhas para o lado de fora. Arrancando da pele o sangue só para convencê-la de que era mesmo uma garota especial. Nunca mentindo. Eles eram dois agora, não mais sozinhos.
Mas houve um dia que Dom não pode levar flores à sua amada. Caiu de cama, não pode ir à escola aquele dia. Beth achou estranho que ele não tivesse aparecido e naquele dia ela fez o caminho da escola sentindo-se um pouco menos feliz que o habitual. Na ida correu tudo bem, chegou a escola, teve as mesmas aulas chatas de física e química e passou os intervalos lembrando de Dom, preocupada, o que teria acontecido? Ainda assim era feliz, não deve ter sido nada. No entanto no caminho de volta, pela primeira vez depois de um ano e meio, ela estava sem ele ao seu lado. E, por injustiça poética quem sabe, justo naquele dia ela cruzaria com um dos maconheiros que pregavam o terror no bairro, justo naquela rua onde não passa ninguém, onde não há ninguém a quem se possa pedir socorro.
O sangue em sua roupa rasgada, a vergonha desfigurando seu rosto, seus olhinhos vermelhos de tantas lágrimas sobre o seu corpo agora marcado. Foi assim que ela chegou em casa.
Dom só saberia do ocorrido três dias depois, quando sua enfermidade já estava curada. Era um sábado, ele foi até a casa dela, a irmã o atendeu com cara fechada.
“Eu não sei se ela vai querer vê-lo depois da sua covardia”
“Covardia?”
Ele não entendia, não imaginava o que havia acontecido. E quando ele entrou no quarto de Beth, instantaneamente ela começou a chorar e a gritar e a acusar:
“A culpa foi sua!”
Do que? O que eu fiz? Ele se perguntava enquanto se esforçava para segurar os braços dela que batiam; cada tapa, cada soco, cada lágrima era um grão de areia do seu castelo que se desfazia. Por fim, depois de muita luta, ele conseguiu acalmá-la. Ela se sentou à beirada da cama e depois de um silêncio longo ela lhe deu o último golpe, esse mais forte que todos os tapas, os socos, ou mesmo chutes que havia levado ao longo da vida. Um golpe certeiro direto no que até então batia dentro do peito.
“Eu fui estuprada”.
Fúria cega, sangue nos olhos, dor incomensurável. Quis saber quem foi.
Ela não quis falar.
Ele insistiu, falando forte, cego, dentes cerrados.
“Fabiano”, ela choramingou o nome no bastardo. Dom deu-lhe as costas e saiu de sua casa como numa locomotiva com destino à morte. Ácido sulfúrico na menina dos olhos, músculos recém-criados para a guerra, o sacrifício da besta por amor às causas perdidas.
Mas ainda assim teve tempo para premeditar tudo,
cuidadosamente,
detalhadamente,
friamente,
trancado em seu quarto, esperando a hora certa para o ataque.
Preferiu esperar até à noite. Era a hora dos vadios, dos lobisomens e dos loucos vagarem pelas ruas. Meteu uns óculos escuros na cara, uma touca na cabeça, jaqueta jeans, luvas de couro. Um cano de metal pesado com uma curva na ponta. Ele era um cara bom, um garoto que agora precisava crescer.
Bom demais pra deixar que aquela data passasse sem celebração.
Saiu à rua feito máquina,
sem olhar para os lados,
destino certo.
Dobrando esquinas como quem quebra ossos,
Stone Cold entrando no ringue,
o sangue fervendo,
ele era um cara bom.
Adentrou a bocada, lá estava o cretino no seu dia de azar, bem hoje resolveu fumar seu barato sozinho. Vai ser bem mais fácil, o último barato de um otário. De Dom, apenas o primeiro.
Ao ver Dom se aproximar, Fabiano, o verme, foi se levantando, como se já prevendo a merda que ia ter de engolir. Mas o primeiro golpe o atingiu entre o pescoço e o ombro direito, o baseado voou longe, o imbecil foi ao chão, exclamando desesperado
“Que isso cara, não perde a cabeça, eu nem te conheço!”
E o cano desceu dessa vez com ainda mais força, acertando-o na boca, quebrando boa parte dos dentes. E mais uma vez sobre o joelho esquerdo. E outra sobre as costelas.
E outra.
E outra.
E outra…
O som dos ossos quebrando se misturavam aos gritos do verme. Sangue no asfalto, aquilo era bonito aos olhos de Dom, porque ele era um cara bom e o verme era mau. O verme merecia a dor. Um imenso sentimento de satisfação ia tomando conta do corpo de Dom à medida que quebrava o corpo do filho da puta. Variava entre o cano e os chutes, às vezes pisadas na cara. Mas o cretino era forte demais e continuava gritando e gritando e gritando…
Até que os braços de Dom começaram a doer e, num ato definitivo, ele pegou um dos braços do verme e apoiou no meio-fio da calçada. Desferiu-lhe então um golpe com o cano, esse, forte o suficiente para que, ao quebrarem, os ossos do maldito saltassem para fora. E enfim, ele apagou.
Dom sorriu.
Foi embora para casa sentindo-se melhor do que nunca. Ele era um cara bom, e agora era melhor do que sempre fora. No caminho descartou o cano em uma lata de lixo. Entrou em casa como se não tivesse acontecido nada, cantando a música Don’t do Elvis Presley.
Mas aquela menina que ele amava nunca mais falou com ele. Ela o havia culpado por não estar com ela no dia que mais precisou dele. Dom também se culpou. Sentia-se um monstro por ter ficado doente e, assim, permitido que um verme fizesse voltar à tristeza a menina que ele havia salvado de se afogar nas lágrimas.
Os anos passaram e agora ele era um homem. Não se deixara corromper. Era um cara bom, um cara realmente bom e não abriria mão disso por mais que a moda fosse outra, que estivesse vivendo em meio a uma guerra e que os seus ideais o fizessem um inímigo público.
Tão bom que pouco antes havia tentado pôr fim à própria vida pela primeira vez. Ainda se lembrando do ocorrido com seu primeiro amor, percebera que estava num mundo de gente má, e que dificilmente se adaptaria a ele. Mas não conseguiu morrer e se sentiu culpado, porque talvez não fosse bom o suficiente para morrer cedo.
Seguiu adiante, sendo um cara bom, à procura de exceções. Vivendo e amando uma causa perdida, ser bom. Acreditar em valores como amor, lealdade, amizade… Ninguém acreditava, cuspiam na sua cara, o deixavam congelar de frio nas sarjetas, todo mijado, a carteira roubada, gosto de uísque barato na boca. Fazia parte do jogo, ele lutava a favor do inimigo.
Ele era um cara bom e certa noite, quando andava pelas quebradas, encontrou um sujeito chamado Jesus. Um tipo esquisitão que andava com uma gangue de vagabundos e tinha como plano acabar com a rivalidade entre as gangues do bairro. E esse Jesus lhe disse
“Ei brow, se você quer mesmo ser um cara bom e fazer bem às pessoas que encontra, aprenda a suportar. Suporte os maus tratos, as indiferenças, as rejeições, mas continue fazendo seu trabalhando que uma hora eles acabam percebendo que você está do lado deles e se aliam. Perdoe qualquer um que tentar feri-lo”.
“Mas e se eles não perceberem?”, perguntou Dom.
“É um risco, mas faz parte da escolha que você fez. Não é fácil ser bom numa terra de gente má”.
Dom pensara muito a respeito. Jesus era um cara bom também. Pena que os bons morrem cedo, e, não muito tempo depois, esse Jesus foi fuzilado num beco, depois de ser traído por um dos membros da sua própria gangue. Contudo, aquilo que dissera a Dom naquela noite fazia sentido e fez com que ele se tornasse ainda melhor do que era. Chegou até a quase se arrepender de ter espancado aquele filho da puta alguns anos atrás, mas não tinha volta. Esperava que não tivesse morrido.
Ele era um cara bom, um cara realmente bom procurando melhorar.
Conhecera outras mulheres depois da primeira. Suzie era uma besta como os outros, mas ele sabe que ela já não era mais quando o fez em pedaços. Ela disse
“Vai, porque você é bom demais pra mim, e eu ainda preciso melhorar”.
Ela ainda precisava melhorar, o que quer dizer que havia iniciado a sua busca: uma vitória.
Algo parecido aconteceu com Natália.
Bruna o trocara por um dos caras da gangue do Jesus, mas era um cara de ideais iguais aos dele.
E ele também havia conseguido mudar os amigos que o haviam abandonado.
Dom tinha o dom de tocar o coração das pessoas e assim fazer com que se tornassem boas. O preço que pagava por isso era a solidão, simplesmente porque ninguém ficava. Ele era um cara bom, mas pagava o preço de viver só, se escondendo em cavernas, comendo cacos de vidro, chutando latas. Tinha o corpo e a alma marcados, cicatrizes profundas. Vezes demais pensava em desistir e se entristecia até a morte num boteco das biqueiras chamado Getsêmani.
Mas não havia como mudar, nascera assim, bom apenas.
Nos piores momentos tudo o que mais queria era ser como os outros.
Não se sentir tão mal quando tropeçasse nas pernas da sua própria humanidade.
Sonhava com um lugar de paz, onde as pessoas o aceitassem como ele era.
Ou mesmo um lugar onde não existissem pessoas, um deserto onde não precisasse se preocupar em amar, porque não haveria ninguém para amar.
Mas era impossível, estava cavado na carne feito túmulo. Viveria morto, pois, mas seria bom até o fim. Sofreria, mas sofreria bem.
Era triste, sim, mas que diferença fazia se ele era bom? Pensar nisso lhe trazia um fôlego novo. Só assim conseguia prosseguir em sua luta. Atrás da sua causa perdida.
Conquistando pessoas, mudando pensamentos errados, estendendo a mão e conseguindo vitórias. Porque cada uma delas era uma vitória. Ele não era um fracasso, ainda que sempre acabasse sozinho no final de tudo.
Até o dia que conheceu uma garota chamada Olívia. Era uma garota má, nada comum. Ela disse
“Eu sou má, não tenho como mudar, eu sou assim e gosto de ser assim”.
Muito embora aquilo não assustasse Dom, que estava sempre pronto a enfrentar qualquer tipo de besta.
Ele era um cara bom, e lutou com Olívia até que ela se rendesse.
E exatamente como aquela primeira garota que ele amou, Olívia o amou.
E ele amor Olívia.
Contudo, Olívia não mentiu quando disse ter o caráter imutável, mas Dom só percebeu isso tarde demais. Quando o peso de todas as rejeições, do desprezo, das chacotas, quando tudo de uma vez caiu sobre ele até que não agüentasse mais. Ele disse
“Pra mim basta”.
Era a conseqüência de quem até hoje lutou por uma causa perdida. Por quem teve fé no que os errados diziam ser errado. E já não importava mais o que aquele seu saudoso amigo Jesus havia dito. Era preciso cortar o mal pela raiz. Do problema o começo.
Ele era um cara bom e se lembrou da história de um mano dos becos chamado Adão que fora parar debaixo da ponte por causa da maldade de uma sirigaita.
Lembrou das cuspidas que levara da cara ao longo da vida.
Do bastardo que pisara no seu primeiro amor só pra satisfazer seu desejo momentâneo.
Era preciso cortar o mal pela raiz antes que se alastrasse como um câncer.
Ele só precisava de um pouco de paz, se ver livre daqueles que o odiavam.
Dar um salto definitivo para eliminar pelo menos um pouco do mal do mundo; nessa guerra, seria o seu Monte Castelo.
O dom de Dom já não era suficiente, usaria novas armas.
Uma busca pelas vielas, coisa fácil de arrumar.
A águia do deserto preparava seu vôo.
Desert Eagle .44, pistola israelense, balas de leite magnésia.
Colt AR-15 contrabandeado nas costas,
só pra dar garantia.
Ele era um cara bom, um cara realmente bom.
Ele entrou na escola, a mesma escola para onde ele ia todos os dias acompanhado daquela menina para qual ele dava flores, Beth, sua amada da adolescência.
Caminhou em direção às salas da 5º série,
os mais novos,
ele ainda se lembrava de onde ficavam.
34 tiros certeiros,
34 bastardos,
24 mortes instantâneas.
Porque amanhã vocês seriam como todos os outros.
Maria Eduarda se tornaria a puta vestida de vermelho.
Luquinha estupraria Mariana, a menina que sentava ao seu lado.
Clarinha trairia o marido com metade da cidade.
Adriano se tornaria um cantor de música sertaneja de sucesso.
Gabriela abortaria os 4 filhos que viria a ter, etc.
Mas a águia do deserto gritou a tempo,
ele era um cara bom,
um cara realmente bom.
E continuava sendo um cara bom.
Tiros acertados,
o sangue escorrido
era mais bonito do que
aquilo que eles seriam amanhã.
Um gole de água no bebedouro,
seguiu para a porta de saída.
A polícia já o esperava.
“Armas no chão, mão na cabeça, malandro!”
Mas ele era um cara bom
e via a sua paz agora,
havia feito a sua parte.
Não deu ouvidos,
apenas foi saindo,
andando
tranquilamente.
O primeiro
o acertou
no ombro esquerdo:
Glock .40,
foi só um pulinho.
O segundo
na perna direita:
5.56x45mm, Colt M-16,
entrou por um lado
e saiu pelo outro.
O terceiro,
o quarto,
o quinto…
uma gargalhada:
HK G36, carabina alemã,
tórax,
abdômen,
estômago…
O sangue escorrendo pela sua boca,
ele sorria,
era um bom garoto num dia bom,
o seu melhor dia.
Em breve estaria em paz finalmente.
Em breve poderia fugir de tudo para sempre
e ser bom num lugar onde todos eram bons
e não o odiavam por ser assim.
O último foi aquele que o acertou na cabeça.
Desert Eagle .44, balas de leite magnésia, sangue vermelho. Mas não a sua, e sim aquela nas mãos do policial que se tornaria o herói daquele dia – “FABIANO”, o nome bordado em seu uniforme,
não de um cara bom,
mas o herói daquele dia.
Quando a águia do deserto soltou seu grito definitivo.
Era um cara bom, está em paz agora.
Andrew Clímaco; 11 de Dezembro de 2011.
janeiro 8, 2012 às 12:36 pm
Sim, eu entendo.
E, não, as pessoas não reconhecem. É um [D]dom que quase ninguém tem; e, quem o tem, é mais do que simplesmente “as pessoas”. Essa singularidade não conhece plural. É defectiva, no tempo da memória.
Certeza não explica.
Já houve a vontade de ser má sem fazer maldade. E o medo de que nada mais nos assuste ou nos choque.
Momentos de fúria serão abrandados embaixo da mesa, eu seguro teu braço dessa vez. Fica?