matemática
um homem
duas mulheres
4,5 bilhões de possibilidades
e um único caminho
para encontrar
felicidade
ilusão
amor
válvulas de escape
crianças
abrigo
e um único caminho
para encontrar.
há pessoas demais
no mundo
para fazer
da vida
um risco
constante
cada escolha é um tiro certo
que pode levá-lo sem escalas
para o fracasso
cada fracasso é uma consequência
das escolhas feitas ao
acaso
quantos fracassos ocultos
nesses 4,5 bilhões de
possibilidades?
quantas histórias interrompidas
crianças não nascidas
desamores?
quando existe um úníco caminho
para encontrar
todo o resto
inspiração
transpiração
consciência
quociente da
divisão
indecisão
um homem
duas mulheres
e um único caminho
para encontrar.
você pode acabar
vivendo a vida
pelas metades
você pode acabar
se tornando só uma
das possibilidades
num mundo sem manuais
onde você é só
estatística
estático diante da bifurfurcação
4,5 bilhões de riscos
e a impossibilidade
do regresso.
Andrew Clímaco; 01-12-2011
dezembro 1, 2011 às 9:13 pm
ok. cada escolha 4,5 bilhões de renúncias. e o pior é que essa ‘uma’ escolha pode ainda ser uma má escolha…. mas a gente é criança na vida, e não aprende se não vivendo.
né?
dezembro 1, 2011 às 9:22 pm
Falou tudo, Cass =)
dezembro 1, 2011 às 10:37 pm
a escolha é uma utopia qnd se trata de desejo pois não se pode escolher entre desejar ou não. Diante de dois desejo que anulam um ao outro, a escolha passa a ser um cruel sacrifício. Nesse caso, me parece inevitável conviver com a sensação de que se vive pela metade.
dezembro 5, 2011 às 10:19 am
Se há, como dizem, duas mulheres para cada homem [isso em meio a 4,5 bilhões de possibilidades de felicidade, amor e ilusão] deve ser por isso que as mulheres sentem e têm o homem delas só pela metade. Este homem, ao invés de feliz, amado e iludido, fica pensando demais, fazendo cálculos demais, botando estatística demais no poema. Se divide e não multiplica. E não ama demais. E fica sendo homem pela metade com história interrompida. E o poema, que era para estar no enrosco de duas línguas, fica sozinho, como a língua cortada, pitando mais um cigarro. O da saudade. O cigarro dos fracassos ocultos em meio a 4,5 bilhões de possibilidades. Menos uma, agora amputada