[nota do autor em Comentários]
–estritamente desaconselhável para menores–
“Let me put my love into you, baby/ Let me put my love on the line” [AC/DC: “Let Me Put My Love Into You”]
“Suas palavras me causam orgasmos cerebrais, você me faz ter orgasmos cerebrais” [Frase dita por Fernanda Lorenzo ao autor deste conto quando ainda eram namorados]
“O sexo é sujo? Só se for feito do jeito certo.” [Woody Allen]
NUNCA me dei bem com as garotas mais certinhas. Contudo, levou algum tempo para que eu percebesse. Conseqüência de uma educação puritana, no drugs, no rock ‘n’ roll e, é claro, no sex, porque é pecado falar sobre isto em casa. Na adolescência eu era o maior imbecil jamais visto, andando pelo colégio com jeans esburacados, camiseta do AC/DC sob o uniforme num calor de quarenta graus: desde já sonhando encontrar um amor para a vida toda. Pobre garoto; precisou levar na bunda demais antes de perceber que o amor só fode no rabo. A maioria das pessoas, quando se depara com esta revelação, se acovarda, e vive a vida a repetir os mesmos bordões sobre o amor não existir e o amor não prestar. Porém, não eu. Não sou covarde. Quando descobri que o amor só fodia no rabo, não deu outra: aprendi um jeito de foder ele no rabo antes que me fodesse. Nada mais de santas, aprendi a saborear o pecado nas coxas das não-santas, as mulheres autenticas, capetinhas, safadas… Porque eu acredito no amor, mas também acredito no sexo como uma de suas faces. Para mim, o sexo pode bem ser uma arte.
Joy era a matéria-prima perfeita para uma obra dessas. Obra-prima, sexoarte. Há tempos eu andava em busca de uma mulher que acreditasse na arte. Não era raro eu ouvir dizerem que algum texto meu era bukowskiano. O que muita dessa gente não sabe é que boa parte desses textos eu arrancava da minha própria vida. Uma vida bukowskiana pedia uma mulher bukowskiana, sem limites, uma mulher que soubesse degustar da vida a dor e da dor extrair o prazer absoluto. Joy é uma dessas.
Trancadas as portas, abrimos uma cerveja. O mesmo álcool que pode converter em desastre uma noite como esta, serve também de combustível para acender a fogueira. Queimando vivo. Cabelo loiro, ela se apertava dentro de um serpenteante vestido preto, o branco da pele exposta das pernas, o vermelho do batom em sua boca que pedia… Pede pela minha.
— Você é uma bomba — eu disse, olhando a imagem distorcida da mulher através do copo de cerveja.
— Uma bomba?
— Sim. Uma bomba sexual.
— E você, o que é?
— Um detonador.
— Uau! Cuidado que quando explodo, pode doer.
— Quem disse que eu tenho medo? A dor e o prazer estão lado a lado. Isto é arte.
Virei o resto da cerveja e deixei o copo sobre a mesinha perto do sofá. Feito, caminhei até a poltrona onde estava Joy, bela, enluarada, no cio. Tomei-lhe o copo da mão e a fiz levantar, puxando-a na direção do meu corpo. Um beijo mordido. Gosto de batom, gosto de…
— Me toma agora — disse ela. — Agora!
Expenitenciei seu corpo do vestido, sem dificuldade: não usava sutiã. Empurrei-a, fazendo-a cair na poltrona e tornei a beijá-la. Agora com mais força, mais gosto, mais cor: vermelho fogo. Acaricio os seios. As mãos dela deslizando em minhas costas, meu peito, meu corpo dela. Deslizei minha boca até seu pescoço, beijo, uma outra mordida de leve, sem deixar marca. Dirigi-me aos seios, a mão direita sobre o esquerdo, minha boca no direito. Minha língua torneando a carne, circulando, circulando até. O mamilo endurecido, o bico, o topo. A língua em movimentos. Mais rápido; outra mordida, de leve, sem marcas.
Mas desta vez ela reagiu. Ergueu minha cabeça puxando pelo cabelo e acertou-me um sonoro tapa no rosto.
— Puta! — exclamei.
E, deixando a fúria me tomar, enfiei a mão por entre a lateral da calcinha e. Um puxão, a calcinha na minha mão, a primeira marca na pele. Vermelha. Ela me olhou com um sorriso maldoso e olhar suplicante, como se dissesse: só isso?
Arranquei minha camisa, fazendo voar alguns botões, e me ajoelhei em reverência. Você quis assim, pediu, e terá. Tirei-lhe uma sandália, depois a outra e comecei a beijar seus pés: o direito, depois o esquerdo. Seu olhar permanecia o mesmo. Então fui subindo, as panturrilhas, os joelhos, as coxas, a virilha, beijando e beijando suas feridas, pontos-fracos, na ponta da língua o gosto da pele, até alcançar a ferida definitiva. Molhada, sua boceta e cores de uma Madonna de Boticceli. O gosto de uma noite romana. Minha língua imperturbável nos movimentos, meus dedos afundando na carne, mergulhando, afogando no seu segredo. Gemidos, noturno de Chopin, quebrando o silêncio, minha, suas mãos na minha cabeça, assim! Sumo, supra-sumo. Na ponta da língua, até a primeira. A primeira explosão. Na minha boca, os dentes dela mordendo os próprios lábios: outra marca. Olho para seu rosto, seus olhos faíscam quando pergunta:
— Acabou?
— Nunca acaba! Sempre é o começo.
— É? É?
E ao dizer, ela me deu outro tapa estalado na face. Puta! eu quero tudo agora! Puxei-a pela nuca até a minha boca, caímos no chão aos beijos, rolando, sugando, sentindo. O pau quase explodindo dentro da minha calça colada no corpo nu dela. Rolamos até encostarmos no sofá; eu por cima dela. Parei de beijá-la e a encarei. Cara de safada, sorrisinho malicioso, olhos brilhantes, mulher indestrutível. Empurrou-me, cai, mas antes de tentar qualquer reação ela se apressou em abrir o meu zíper. Decidi deixar; era a vez dela, não gosto de trapaças.
Sem tirar os olhos dos meus olhos, ela tirou minha calça, sorrindo, e, ainda sem tirar os olhos dos meus, tirou meu pau para fora da cueca e começou a beijar de leve a cabeça. Tentei me mover, mas ela enfiou as unhas da mão direita na minha coxa. Minha primeira marca. Continuou beijando, agora encostando a língua de leve. A mesma mão que me cravara as unhas, agora acariciava minhas bolas, algo que me deixa louco. Solto um gemido, ela percebeu que gostei do toque e, usando mais a língua, pôs-se a lamber agora não só a cabeça, mas todo o membro até alcançar as bolas. Outro gemido e ela se irrita. Num impulso, levanta a cabeça e enfia meu pau dentro da boca e começa a chupá-lo, rápido, forte, profundo. Tesão, gemidos. Mas logo ela pára, me olha sem dizer nada. Tento pôr a mão em seu cabelo, mas ela se esquiva e volta para o meu pau, desta vez o enfiando quase todo na boca até doer. Lágrimas em seus olhos, mas ela continua, novamente em fúria, para baixo e para cima. Sinto que vou gozar. Sim, está vindo. Mas agora não, ainda é cedo.
Agarro-a pelo cabelo e a faço parar. Me levanto e, erguendo-a pelo braço, beijo sua boca, meu gosto na boca dela, o gosto dela na minha. Minha mão entre suas pernas, meus dedos na boceta em busca do ponto. Ela beija meu pescoço. Masturbo, de leve, mas ela me dá um chupão ardido, outra marca, e eu acelero, deixo os dedos entrarem. Tiro e os enfio em sua boca.
— Sente? É o seu gosto — digo.
— O meu eu conheço: quero o seu…
Não a deixei terminar de falar. Empurrei-a sobre o sofá, abri suas pernas e a penetrei. Com força, desejo, fúria. Minha mão apertando o ombro dela. Joy, minha Joy gemendo por mim e para mim. Tiro o pau por um instante, esfrego-o por toda a boceta e ela diz: me dá. E eu dou. Me inclino até que ela o alcance com a boca. Ela o agarra e chupa. Seguro-a pelo cabelo, assim não, quero sem as mãos. Enfio em sua boca. Tiro. Enfio. Minha mão segurando seu cabelo por trás. Chega.
Me deitei no sofá, te quero por cima. E ela cavalgou-me por algum tempo enquanto minhas mãos seguram seus seios, descem pelo dorso, as costas. Sim, as costas, te quero de costas, mas não aqui. Na cozinha, a mesa. Caminhamos até lá, ela se debruçou na mesa e eu tornei a penetrá-la. Assim, forte, bem forte. O suor escorrendo pela curvas das costas dela. Me dobro agarrando-a por trás, até conseguir lamber sua nuca. Salgado sexo. Um pouco mais de frente, viro-a, meto novamente. Olhos dela nos meus, nosso suor misturado, uniunidos. Não, não pode acabar aqui. O quarto. Sim. A cama.
No quarto, ela sobe na cama e, de quatro, diz:
— Me come, seu puto!
Enfio de novo, segurando-a pelo cabelo. Ritmo, fluxo. É minha vez, a minha hora. Sua bunda para o meu corpo, oitava visão da arte. Oitava arte, sexo. Acerto-lhe um tapa na bunda, ela geme alto. Acerto outro, sim! Pele branca agora vermelha, inflama. Eu a observo por trás, meu pau entrando e saindo, a bunda, o… Enfio um dedo, dois dedos. Calor de Sodoma. Ela geme mais alto. Minha. Tiro os dedos. Paro. Ela me olha.
— Parou?
— Eu que…
— Anda logo, come meu rabo.
Sim, o amor só fode no rabo. Eis uma prova de amor. Molho meus dedos com saliva e lubrifico a entrada. Enfio novamente os dedos devagar. Depois o pau, com cuidado. Primeiro devagar, depois forte.
Enquanto a tomo pelo rabo, ela toca com os dedos o clitóris. Nada é capaz de me excitar mais do que a entrega absoluta. Era aquela entrega, meu pau dentro do cuzinho dela, procurando um esconderijo desse mundo que é tão feio. Prazer, dor, amor, vida. Ela, eu, consubstanciais no ato e na arte. Expandindo, explodindo, tesão. Você pediu. Ela geme, gostoso, sim, muito gostoso. Sinto que vou gozar, agora sim.
Tirei o pau da bunda dela.
— Vem cá, eu sou seu, e você vai ter tudo até a última gota.
Ela se ajoelha, me olhando, sorrindo, safada, puta minha, my Joy, e me chupa. Chupa. Claridade, outra explosão. Gozo. Um urro de alegria no meio da escuridade da vida. Sempre agora. Inundo a boca dela com meu amor. Pintura. Arte, obra-prima. Rembrant, Picasso, Miró, Magritte, Boticceli.
Por amor: a arte do sexo, beleza do que não é puro, o amargo mais doce da vida, razão desta, engaste de desejos infindáveis. Vida esta, que nunca acaba: sempre começa.
Ela se levanta. Dou-lhe um beijo carregado. Paixão. Ela sorri. Sorrio. Por amor.
02 de Fevereiro — 2010








para 

